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Título: Obliquação em Annie Ernaux: a escrita literária como prática de constituição e transformação subjetiva
Título(s) alternativo(s): Obliquity in Annie Ernaux: literary writing as a practice of subjective constitution and transformation
Autor(es): Cardoso, Raquel Rosa
Orientador(es): Sales, Cristiano de
Palavras-chave: Ernaux, Annie, 1940-
Autobiografia na literatura
Outro (Filosofia)
Literatura francesa - Séc. XX
Luto na literatura
Subjetividade na literatura
Autobiography in literature
Other (Philosophy)
French literature - 20th century
Bereavement in literature
Subjectivity in literature
Data do documento: 6-Jul-2026
Editor: Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus: Curitiba
Citação: CARDOSO, Raquel Rosa. Obliquação em Annie Ernaux: a escrita literária como prática de constituição e transformação subjetiva. 2026. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagens) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2026.
Resumo: Esta dissertação de mestrado investiga a obra da escritora francesa Annie Ernaux, analisando como sua prática literária atua como ferramenta de constituição subjetiva e de relação com a alteridade. O problema central da pesquisa reside em compreender de que maneira a escrita de Ernaux consegue desmantelar a centralidade do “eu” biográfico para dar lugar a uma “antropologia do outro”, transformando o relato da perda e do luto em uma ferramenta de investigação social e ética que evita o tom puramente confessional. A metodologia adotada é de natureza qualitativa e bibliográfica, fundamentada em uma perspectiva crítica que promove o tensionamento entre a materialidade das obras O Lugar e Uma Mulher e um aporte teórico que cruza a crítica literária contemporânea com a antropologia especulativa. O trabalho utiliza o conceito de obliquação, formulado por Alexandre Nodari, para explicar como a autora se transforma ao narrar a história de seus pais, operando uma reconfiguração de si pela linguagem ao deixar-se afetar pela presença do outro. Os resultados da pesquisa demonstram que o “eu” narrativo em Ernaux está, na verdade, em uma posição relacional que borra as fronteiras entre sociologia e literatura, documento e ficção. A contribuição desta dissertação para os estudos sobre Annie Ernaux reside no preenchimento de uma lacuna crítica: o deslocamento da análise das determinações puramente sociais ou memorialísticas para a compreensão do sujeito como um efeito relacional, constituído pelo atravessamento das alteridades que o conformam. Assim, a pesquisa evidencia que narrar a si mesma implica, necessariamente, passar pelo outro, consolidando a escrita de Ernaux como um gesto ético de restituição e dignificação de trajetórias historicamente marginalizadas.
Abstract: This master’s thesis investigates the work of French writer Annie Ernaux, analyzing how her literary practice acts as a tool for subjective constitution and relation with alterity. The central research problem lies in understanding how Ernaux’s writing manages to dismantle the centrality of the biographical “I” to make room for an “anthropology of the other,” transforming the account of loss and mourning into a tool for social and ethical investigation that avoids a purely confessional tone. The adopted methodology is qualitative and bibliographical in nature, grounded in a critical perspective that promotes a tensioning between the materiality of the works A Man’s Place and A Woman’s Story and a theoretical framework that crosses contemporary literary criticism with speculative anthropology.The work utilizes the concept of obliquity (obliquação), formulated by Alexandre Nodari, to explain how the author transforms herself while narrating her parents’ stories, operating a reconfiguration of herself through language by allowing herself to be affected by the presence of the other. The research results demonstrate that the narrative “I” in Ernaux is, in fact, in a relational position that blurs the boundaries between sociology and literature, document and fiction. The contribution of this thesis to Annie Ernaux studies lies in filling a critical gap: the displacement of the analysis from purely social or memorialistic determinations toward an understanding of the subject as a relational effect, constituted by the intersection of the alterities that shape it. Thus, the research highlights that narrating oneself necessarily implies passing through the other, consolidating Ernaux’s writing as an ethical gesture of restitution and dignification of historically marginalized trajectories.
URI: http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/41144
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