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http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/40360| Título: | Entre registros e silêncios: uma análise interseccional e decolonial sobre o acesso à justiça de mulheres em situação de violência |
| Título(s) alternativo(s): | Between records and silences: an intersectional and decolonial analysis of access to justice for women in situations of violence |
| Autor(es): | Marçal, Julia Dambrós |
| Orientador(es): | Wedig, Josiane Carine |
| Palavras-chave: | Crime contra as mulheres Delegacias da mulher Violência Violência contra as mulheres Interseccionalidade (Sociologia) Assistência judiciária Women - Crimes against Women's police stations Violence Women - Violence against Intersectionality (Sociology) Legal aid |
| Data do documento: | 4-Mar-2026 |
| Editor: | Universidade Tecnológica Federal do Paraná |
| Câmpus: | Pato Branco |
| Citação: | MARCAL, Julia Dambros. Entre registros e silêncios: uma análise interseccional e decolonial sobre o acesso à justiça de mulheres em situação de violência. 2026. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Regional) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Pato Branco, 2026. |
| Resumo: | Esta tese analisa os atravessamentos interseccionais de gênero, raça, classe e outros marcadores de desigualdade que afetam mulheres em situação de violência em Pato Branco/PR. A pesquisa examina como essas dimensões estruturam as experiências de violência e produzem desigualdades no acesso à justiça, considerando o papel de instituições no atendimento e proteção dessas mulheres. Para tanto, adoto a metodologia quali-quantitativa, com abordagem decolonial e interseccional. Na etapa qualitativa, realizei observação sistemática de 14 atendimentos a mulheres em situação de violência, sendo 10 realizados pela Delegacia da Mulher de Pato Branco (DEAMPB) e quatro pelo Núcleo de Prática Jurídica do Centro Universitário de Pato Branco (NPJ Afya PB). Os dados quantitativos foram extraídos da base eletrônica da Polícia Civil do Paraná (PCPR) e de informações fornecidas pelo Centro de Análise, Planejamento e Estatística do Paraná vinculado à Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (CAPE SESP/PR). Os resultados indicam que em 2024 o município de Pato Branco ocupou a primeira posição entre os municípios do sudoeste do Paraná no número de registros de boletins de ocorrência (BO) por lesão corporal decorrente de violência doméstica. No recorte mais amplo, referente ao período de 2021 a 2024, as ocorrências de violência psicológica e física se concentram majoritariamente no ambiente doméstico e em bairros periféricos da região sul do município, evidenciando a persistência de dinâmicas de opressão em uma sociedade marcada pelo colonialismo e pela colonialidade. As mulheres brancas aparecem em maior número absoluto nos registros; entretanto, proporcionalmente à composição populacional do município, a vulnerabilidade mostra-se mais acentuada entre mulheres pretas e pardas. No que se refere à escolaridade, predomina o ensino fundamental ou médio incompleto, indicando a relação entre desigualdades educacionais e maior exposição à violência. Observei, ainda, maior incidência de registros entre mulheres jovens, solteiras ou em união estável, bem como nos fins de semana. Esses dados confirmam que a violência é atravessada por múltiplos marcadores, reforçando a necessidade de estratégias interseccionais de enfrentamento, voltadas aos grupos em maior situação de vulnerabilidade. Nesse sentido, sustento que a violência contra mulheres (não apenas a doméstica) não é natural, tampouco episódica, mas instituída pela articulação entre colonialismo, patriarcado e racismo estrutural. Assim, esta pesquisa contribui para o debate sobre gênero e violência, oferecendo subsídios empíricos e analíticos para a formulação de políticas públicas voltadas à redução da violência contra mulheres no município. |
| Abstract: | This thesis analyzes the intersectional dynamics of gender, race, class, and other markers of inequality that affect women experiencing violence in Pato Branco, Paraná, Brazil. The study examines how these dimensions structure experiences of violence and produce inequalities in access to justice, considering the role of institutions in the assistance and protection of these women. To this end, I adopt a qualitative-quantitative methodology, grounded in decolonial and intersectional approaches. In the qualitative stage, I conducted systematic observation of 14 service encounters involving women in situations of violence, 10 of which were carried out by the Women’s Police Station of Pato Branco (DEAMPB) and four by the Legal Practice Center of Centro Universitário de Pato Branco (NPJ Afya PB). The quantitative data were obtained from the electronic database of the Civil Police of Paraná (PCPR) and from information provided by the Center for Analysis, Planning, and Statistics of Paraná, linked to the State Secretariat of Public Security (CAPE SESP/PR). The results indicate that, in 2024, the municipality of Pato Branco ranked first among municipalities in the southwestern region of Paraná in the number of police reports (BO) of bodily injury resulting from domestic violence. In a broader analysis covering the period from 2021 to 2024, cases of psychological and physical violence are predominantly concentrated in the domestic sphere and in peripheral neighborhoods of the southern region of the municipality, revealing the persistence of dynamics of oppression in a society marked by colonialism and coloniality. White women appear in greater absolute numbers in the records; however, proportionally to the municipality’s demographic composition, vulnerability is more pronounced among Black and Brown women. Regarding education, incomplete primary or secondary education predominates, indicating a relationship between educational inequalities and greater exposure to violence. I also observed a higher incidence of records among young women, single or in stable unions, as well as on weekends. These findings confirm that violence is shaped by multiple intersecting markers, reinforcing the need for intersectional strategies of intervention targeted at the most vulnerable groups. In this sense, I argue that violence against women—not only domestic violence—is neither natural nor episodic, but rather constituted through the articulation of colonialism, patriarchy, and structural racism. Thus, this research contributes to the debate on gender and violence by providing empirical and analytical support for the formulation of public policies aimed at reducing violence against women in the municipality. |
| URI: | http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/40360 |
| Aparece nas coleções: | PB - Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional |
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