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http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/40055| Título: | Saúde mental e prevenção ao suicídio no setor bancário: análise da articulação entre as práticas corporativas e tecnologia |
| Título(s) alternativo(s): | Mental health and suicide prevention in the banking sector: an analysis of the articulation between corporate practices and technology |
| Autor(es): | Lima, Iago Felipe Natividade de |
| Orientador(es): | Dias, Maria Sara de Lima |
| Palavras-chave: | Saúde mental Suicídio - Prevenção Bancários - Saúde mental Promoção da saúde dos empregados Tecnologia - Aspectos sociais Trabalho - Aspectos psicológicos Mental health Suicide - Prevention Bank employees - Mental health Employee health promotion Technology - Social aspects Work - Psychological aspects |
| Data do documento: | 20-Mar-2026 |
| Editor: | Universidade Tecnológica Federal do Paraná |
| Câmpus: | Curitiba |
| Citação: | LIMA, Iago Felipe Natividade de. Saúde mental e prevenção ao suicídio no setor bancário: análise da articulação entre as práticas corporativas e tecnologia. 2026. Dissertação (Mestrado em Tecnologia e Sociedade) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2026. |
| Resumo: | O objetivo desta dissertação é analisar, a partir dos documentos ESG publicados em 2025 pelos bancos comerciais Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, quais são as práticas voltadas à saúde mental e à prevenção do suicídio, bem como examinar a articulação das tecnologias nessas práticas. A pesquisa justifica-se, pois, a Organização Mundial da Saúde (2025) aponta que mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, ressaltando que a promoção da saúde mental está diretamente associada à sua prevenção. A Organização Internacional do Trabalho (2022), em seu relatório Mental Health at Work, destaca a relação entre trabalho, saúde mental e suicídio. Alinhado a essas instituições, o governo brasileiro vem adotando diversas medidas sobre o tema, atualizando e sancionando leis que evidenciam o papel do trabalho na saúde humana e enfatizam a responsabilidade das organizações na promoção da saúde mental e na prevenção do suicídio. Contudo, Lima (2010), fundamentada em Yves Clot, acentua um ponto essencial de atenção aos programas organizacionais, pois estes podem produzir uma ergonomia regimentar, um novo higienismo do comportamento, um conjunto de regras e protocolos que, em vez de promover a saúde do trabalhador, serve para respaldar a instituição do nexo ou do agravo entre saúde mental e trabalho. Esse apontamento fundamenta a verificação de uma contradição no setor bancário: em 2023 e 2024, o Observatório da Saúde Mental nas Empresas indicou que os bancos comerciais figuram entre aqueles que mais investem em programas de saúde mental para trabalhadores; entretanto, esse mesmo setor, que representa apenas 1% dos empregos formais do país, concentrou 24% dos afastamentos por motivos relacionados à saúde mental em 2024 (Agência Senado, 2024). A temática foi investigada conforme o referencial teórico do campo da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), fundamentado no materialismo histórico-dialético e na psicologia histórico-cultural. A metodologia adotada baseia-se em uma pesquisa qualitativa (González Rey, 2005), realizada por meio da análise documental (Flick, 2009), a partir de relatórios corporativos de acesso público, sendo aprofundada pela análise de conteúdo, conforme o proposto por Bardin (2016), permitindo a identificação, categorização e interpretação do material. Como resultados, observa-se que as práticas identificadas estão diretamente vinculadas à implementação tecnológica e à intensificação do ritmo laboral. Baseada pelo determinismo tecnológico, a atenção à saúde mental é operacionalizada, sobretudo, por meio de aplicativos, gestão algorítmica e plataformas destinadas ao letramento e à autogestão, processo no qual a saúde mental passa a ser metrificada, controlada, patologizada e individualizada. Evidenciam-se, assim, impactos diretos e indiretos para os trabalhadores, que são compelidos a desempenhar uma performance homogênea de autocuidado que esvazia sua singularidade. Essa atitude reforça a percepção do suicídio como um fenômeno pessoal e privado, afastando a discussão sobre seu componente histórico-cultural, que abrange a atividade e a tecnologia, e incentivando a integração do indivíduo, cuja complexidade é significativamente simplificada. |
| Abstract: | The objective of this dissertation is to analyze, based on the ESG documents published in 2025 by the commercial banks Itaú, Bradesco, and Banco do Brasil, which practices are aimed at mental health and suicide prevention, as well as to examine the articulation of technologies within these practices. The research is justified because the World Health Organization (2025) indicates that more than 720,000 people die by suicide every year, emphasizing that the promotion of mental health is directly associated with its prevention. The International Labour Organization (2022), in its report Mental Health at Work, highlights the relationship between work, mental health, and suicide. In alignment with these institutions, the Brazilian government has been adopting several measures on the topic, updating and enacting laws that highlight the role of work in human health and emphasize the responsibility of organizations in promoting mental health and preventing suicide. However, Lima (2010), drawing on Yves Clot, emphasizes an essential point of attention regarding organizational programs, as they may produce a regimental ergonomics, a new hygienism of behavior, a set of rules and protocols that, instead of promoting workers’ health, serve to support the establishment of a nexus or aggravation between mental health and work. This observation underpins the verification of a contradiction in the banking sector: in 2023 and 2024, the Observatory of Mental Health in Companies indicated that commercial banks are among those that invest the most in mental health programs for workers; however, this same sector, which represents only 1% of the country’s formal jobs, accounted for 24% of leaves of absence due to reasons related to mental health in 2024 (Agência Senado, 2024). The topic was investigated according to the theoretical framework of the field of Science, Technology, and Society (STS), grounded in historical-dialectical materialism and historical-cultural psychology. The methodology adopted is based on qualitative research (González Rey, 2005), conducted through documentary analysis (Flick, 2009) of publicly accessible corporate reports, and further deepened through content analysis, as proposed by Bardin (2016), allowing for the identification, categorization, and interpretation of the material. As results, it is observed that the identified practices are directly linked to technological implementation and the intensification of the labor pace. Based on technological determinism, attention to mental health is operationalized primarily through applications, algorithmic management, and platforms aimed at literacy and self-management, in a process in which mental health becomes metrified, controlled, pathologized, and individualized. Thus, direct and indirect impacts on workers become evident, who are compelled to perform a homogeneous self-care performance that empties their singularity. This stance reinforces the perception of suicide as a personal and private phenomenon, distancing the discussion from its historical-cultural component, which encompasses activity and technology, and encouraging the integration of the individual, whose complexity is significantly simplified. |
| URI: | http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/40055 |
| Aparece nas coleções: | CT - Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade |
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