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Título: A interseccionalidade de mulheres negras docentes com deficiência: uma análise de instrumentos censitários brasileiros
Título(s) alternativo(s): The intersectionality of black women teachers with disabilities: an analysis of brazilian census instruments
Autor(es): Silva, Denise Souza da
Orientador(es): Almeida, Leonelo Dell Anhol
Palavras-chave: Interseccionalidade (Sociologia)
Educação básica
Professoras negras
Mulheres com deficiência
Censo escolar
Intersectionality (Sociology)
Basic education
African American women teachers
Women with disabilities
School censuo
Data do documento: 25-Nov-2025
Editor: Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus: Curitiba
Citação: SILVA, Denise Souza da. A interseccionalidade de mulheres negras docentes com deficiência: uma análise de instrumentos censitários brasileiros. 2026. Dissertação (Mestrado em Tecnologia e Sociedade) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2025.
Resumo: Na perspectiva dos estudos em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), a produção de estatísticas educacionais desempenha um papel central na formulação de políticas públicas e na compreensão das desigualdades estruturais, mas não deve ser entendida como neutra ou puramente técnica. A forma como censos e levantamentos institucionais categorizam marcadores sociais, como raça/cor, gênero e deficiência, influencia diretamente a visibilidade de coletivos com menor representatividade estatística. Nesse sentido, esta pesquisa tem como objetivo compreender como as pesquisas censitárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) se referem às mulheres negras com deficiência que atuam como docentes da educação básica, sob a perspectiva da interseccionalidade. A investigação é fundamentada nos estudos CTS, no conceito de interseccionalidade e nos estudos da deficiência, articulando uma análise crítica sobre a suposta neutralidade dos levantamentos censitários e sobre as limitações na produção de informações interseccionais. De natureza qualitativa, descritiva e exploratória, o estudo utiliza a pesquisa documental como principal método, examinando questionários, dicionários de variáveis, relatórios metodológicos e bases institucionais produzidas pelos órgãos oficiais de estatística. Foram analisadas as pesquisas Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, Pesquisa Nacional de Saúde e Censo Demográfico, elaboradas pelo IBGE, e o Censo Escolar, desenvolvido pelo INEP, totalizando quatro bases documentais oficiais examinadas nesta investigação. A análise concentra-se na forma como as variáveis são operacionalizadas, identificando lacunas e limitações que comprometem a representatividade de mulheres negras com deficiência, docentes da educação básica, nas estatísticas educacionais. Os resultados evidenciam que o tratamento fragmentado dos marcadores sociais impede a construção de diagnósticos interseccionais e contribui para a invisibilidade estatística, como se observa, por exemplo, no registro de que apenas 0,39% dos docentes declararam possuir deficiência em 2024, bem como na elevada taxa de não declaração da variável raça/cor, o que compromete a confiabilidade dos dados. A pesquisa aponta, assim, para a necessidade de aperfeiçoar as metodologias de coleta e categorização de dados, bem como de formular políticas públicas que incorporem a interseccionalidade como princípio analítico e político. Tais integrações possibilitariam a construção de ações afirmativas e de iniciativas que fortaleçam políticas educacionais mais justas e equitativas, reafirmando o papel das estatísticas não apenas como ferramentas de registro, mas como instrumentos de transformação social e de reconhecimento da diversidade em sua complexidade.
Abstract: From the perspective of Science, Technology, and Society (STS) studies, the production of educational statistics plays a central role in formulating public policies and understanding structural inequalities, but it should not be understood as neutral or purely technical. The way censuses and institutional surveys categorize social markers, such as race/color, gender, and disability, directly influences the visibility of groups with less statistical representation. Therefore, this research aims to understand how census surveys by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) and the National Institute of Studies and Educational Research Anísio Teixeira (INEP) refer to Black women with disabilities who work as basic education teachers, from an intersectional perspective. The investigation is grounded in STS studies, the concept of intersectionality, and disability studies, articulating a critical analysis of the supposed neutrality of census surveys and the limitations in the production of intersectional information. Qualitative, descriptive, and exploratory in nature, this study uses documentary research as its primary method, examining questionnaires, dictionaries of variables, methodological reports, and institutional databases produced by official statistical agencies. The Continuous National Household Sample Survey, the National Health Survey, and the Demographic Census, conducted by the IBGE (Brazilian Institute of Geography and Statistics), and the School Census, developed by the INEP (National Institute of Education), were analyzed, totaling four official documentary databases examined in this investigation. The analysis focuses on how variables are operationalized, identifying gaps and limitations that compromise the representation of Black women with disabilities, basic education teachers, in educational statistics. The results show that the fragmented treatment of social markers impedes the construction of intersectional diagnoses and contributes to statistical invisibility, as observed, for example, in the record that only 0.39% of teachers declared having a disability in 2024, as well as in the high rate of underreporting of the race/color variable, which compromises the reliability of the data. The research thus highlights the need to improve data collection and categorization methodologies, as well as to formulate public policies that incorporate intersectionality as an analytical and political principle. Such integrations would enable the development of affirmative actions and initiatives that strengthen fairer and more equitable educational policies, reaffirming the role of statistics not only as recording tools, but also as instruments of social transformation and recognition of diversity in all its complexity.
URI: http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/39531
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