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Título: Sofrimento docente na perspectiva histórico-cultural: vivências no ensino superior
Título(s) alternativo(s): Teaching suffering from a historical-cultural perspective: experiences in higher education
Autor(es): Cordova, Renata Pereira de
Orientador(es): Dias, Maria Sara de Lima
Palavras-chave: Professores - Formação
Sofrimento - Aspectos psíquicos
Ensino superior
Subjetividade
Ética profissional
Professores - Satisfação no trabalho
Teachers, Training of
Suffering - Psychic aspects
Education, Higher
Subjectivity
Professional ethics
Teachers - Job satisfaction
Data do documento: 10-Dez-2025
Editor: Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus: Curitiba
Citação: CORDOVA, Renata Pereira de. Sofrimento docente na perspectiva histórico-cultural: vivências no ensino superior. 2026. Tese (Doutorado em Tecnologia e Sociedade) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2025.
Resumo: Esta tese investigou como o trabalho docente impacta a constituição psíquica de professores do ensino superior, com foco no sofrimento psíquico que emerge da vivência docente em uma instituição privada localizada na região metropolitana de Curitiba. Fundamentada na Psicologia Histórico-Cultural, que compreende o sujeito em sua totalidade social, histórica e simbólica, a pesquisa articulou os pensamentos de Lev Vygotski (1991.a, 1991b, 2003, 2004.a, 2004b, 2013) Yves Clot (2006, 2007, 2010.a, 2010b, 2013.a, 2013b, 2019). Partiu-se da hipótese de que a limitação do poder de agir e de transformar a prática docente, intensificada pelas atuais condições de trabalho, poderia ser geradora de sofrimento. A abordagem metodológica adotada foi qualitativa, sustentada na Epistemologia Qualitativa de González Rey (2003, 2005.a, 2005b, 2012, 2017) e na Clínica da Atividade. Utilizou-se da metodologia construtivointerpretativa, com dois dispositivos clínico-políticos: grupo de discussão e autoconfrontação simples. O grupo de discussão funcionou como espaço coletivo de escuta e produção de sentidos compartilhados; a entrevista de autoconfrontação permitiu acessar o gesto docente em sua dimensão simbólica, favorecendo a reorganização subjetiva da vivência. Os achados revelaram que o sofrimento docente se configura como uma vivência persistente e silenciosa, marcada pela frustração crônica diante da impossibilidade de realizar o trabalho conforme os valores que sustentam a prática docente. Esse sofrimento, ao não encontrar espaço de elaboração simbólica, manifesta-se como frustração crônica, atravessada pela sensação de impotência diante da distância entre o que se deseja realizar e o que é possível efetivar na prática. A tensão entre o compromisso ético com a formação humana e as exigências institucionais de desempenho e retenção constitui um campo de conflito que afeta diretamente a saúde psíquica dos docentes. A pesquisa propôs estratégias coletivas para a promoção da saúde mental docente, reafirmando que cuidar de quem educa é um gesto ético e político. Concluiu-se que a escuta da atividade constituiu uma via potente para elaborar o sofrimento, sustentar a presença docente e afirmar a docência como prática viva e transformadora.
Abstract: This thesis investigated how teaching work impacts the psychic constitution of higher education professors, focusing on the psychic suffering that emerges from the teaching experience in a private institution located in the metropolitan region of Curitiba. Based on Historical-Cultural Psychology, which understands the subject in their social, historical, and symbolic totality, the research articulated the thoughts of Lev Vygotsky (1991.a, 1991b, 2003, 2004.a, 2004b, 2013) and Yves Clot (2006, 2007, 2010.a, 2010b, 2013.a, 2013b, 2019). It started from the hypothesis that the limitation of the power to act and transform teaching practice, intensified by current working conditions, could generate suffering. The methodological approach adopted was qualitative, supported by González Rey’s Qualitative Epistemology (2003, 2005.a, 2005b, 2012, 2017) and the Clinic of Activity. The constructive-interpretive methodology was used, with two clinical-political devices: a discussion group and simple self-confrontation. The discussion group functioned as a collective space for listening and producing shared meanings; the self-confrontation interview allowed access to the teaching gesture in its symbolic dimension, favoring the subjective reorganization of the experience. The findings revealed that teacher suffering is configured as a persistent and silent experience, marked by chronic frustration due to the impossibility of carrying out the work according to the values that sustain teaching practice. When this suffering does not find a space for symbolic elaboration, it manifests as chronic frustration, permeated by the feeling of impotence in the face of the distance between what one wishes to achieve and what is possible to implement in practice. The tension between the ethical commitment to human development and institutional demands for performance and retention constitutes a field of conflict that directly affects the psychic health of the professors. The research proposed collective strategies for the promotion of teacher mental health, reaffirming that caring for those who educate is an ethical and political gesture. It was concluded that listening to the activity constituted a powerful way to elaborate suffering, sustain the teaching presence, and affirm teaching as a living and transformative practice.
URI: http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/39391
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