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Título: Avaliação de sustentabilidade de agroecossistemas em transição agroecológica na microrregião de Pato Branco: entre permanências e transformações
Título(s) alternativo(s): Sustainability assessment of agroecosystems in agroecological transition in the microregion of Pato Branco, between continuities and transformations
Autor(es): Gonçalves, Larisse Medeiros
Orientador(es): Godoy, Wilson Itamar
Palavras-chave: Sustentabilidade
Agricultura familiar
Ecologia agrícola
Indicadores ambientais
Sustainability
Family farms
Agricultural ecology
Environmental indicators
Data do documento: 19-Set-2025
Editor: Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus: Pato Branco
Citação: GONÇALVES, Larisse Medeiros. Avaliação de sustentabilidade de agroecossistemas em transição agroecológica na microrregião de Pato Branco: entre permanências e transformações. 2025. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Regional) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Pato Branco, 2025.
Resumo: Esta tese tem como objetivo avaliar a sustentabilidade de agroecossistemas em transição agroecológica na microrregião de Pato Branco, Paraná, por meio da construção participativa com famílias agricultoras e da aplicação de indicadores sensíveis às realidades locais. Com base teórica na Agroecologia, Sustentabilidade e na avaliação de sistemas de manejo sustentáveis, o estudo adota a metodologia Marco para Avaliação de Sistemas de Manejo Incorporando Indicadores de Sustentabilidade (MESMIS) como eixo estruturante, integrando as dimensões ambiental, social e econômica. A pesquisa combina uma meta-análise de quatro dissertações anteriores (2013–2019) com a aplicação em campo junto a novas famílias agricultoras, ampliando a base empírica e permitindo uma leitura longitudinal e aprofundada das transformações nos agroecossistemas em transição. A abordagem metodológica é mista, com caráter descritivo, analítico e participativo, envolvendo roteiros semiestruturados, observação participante e aplicação de ferramentas como matriz SWOT. Destaca-se que o nome das famílias é fictício. Os indicadores foram construídos e validados junto aos participantes, e mensurados por meio de uma escala visual de 1 a 3, permitindo avaliação integrada e comparável dos dados. Os resultados obtidos mostram níveis de sustentabilidade que variam entre 1,75 e 2,78, situando os agroecossistemas entre condições regulares e desejáveis. A dimensão social revelou como mais críticos os indicadores de sucessão familiar, sobrecarga de trabalho e mão de obra, apontando para um esgotamento físico e geracional no campo. A ausência da Família Íris na fase de campo, por abandono da atividade agrícola, ilustra de forma simbólica esse processo de ruptura. Na dimensão ambiental, os principais desafios foram a pressão de monoculturas e o limitado acesso a sementes e mudas crioulas, demonstrando a necessidade de políticas públicas territoriais que incentivem a diversidade produtiva e a autonomia dos sistemas. Já no eixo econômico, observou-se relativa estabilidade, com destaque para o desempenho da Família Rosa, que se beneficiou de práticas integradas e apoio institucional. Contudo, a frágil relação com a certificação orgânica, seja por ausência ou por críticas à burocracia dos processos, revela a urgência de caminhos mais acessíveis, como os sistemas participativos de garantia. A análise integrada demonstra que mesmo agroecossistemas consolidados enfrentam oscilações, e que a sustentabilidade depende não apenas de práticas técnicas, mas de redes de apoio, reconhecimento político e continuidade geracional. Políticas como o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, lançado em 2024, emergem como estratégicas para enfrentar a crise de sucessão, promover inclusão produtiva e valorizar os modos de vida no campo. Conclui-se que a sustentabilidade em agroecossistemas familiares é um processo contínuo, relacional e historicamente situado. Para além dos números, ela se traduz na permanência com dignidade das famílias agricultoras, na força das redes comunitárias e na capacidade coletiva de imaginar e construir outros futuros possíveis no meio rural.
Abstract: The research combines a meta-analysis of four previous master’s theses (2013–2019) with new field applications involving additional farming families, thus expanding the empirical base and enabling a longitudinal and in-depth analysis of transformations within transitioning agroecosystems. A mixed-methods approach is employed, with descriptive, analytical, and participatory characteristics, involving semi-structured interviews, participant observation, and the use of tools such as the SWOT matrix. Indicators were co-constructed and validated with participants and measured using a visual scale from 1 to 3, allowing for integrated and comparable data assessment. The results reveal sustainability levels ranging from 1.75 to 2.78, positioning the agroecosystems between regular and desirable conditions. Within the social dimension, the most critical indicators were those related to generational succession, labor burden, and workforce availability, highlighting physical and generational exhaustion in rural areas. The absence of the Íris Family during fieldwork, due to their abandonment of agricultural activities, symbolically illustrates this process of rupture. In the environmental dimension, the main challenges included pressure from monocultures and limited access to local seeds and seedlings, underscoring the need for territorial public policies that promote productive diversity and system autonomy. In the economic dimension, relative stability was observed, particularly in the case of the Rosa Family, which benefited from integrated practices and institutional support. However, the weak engagement with organic certification, either due to its absence or criticism of its bureaucratic processes, signals the urgency of more accessible alternatives, such as participatory guarantee systems. The integrated analysis demonstrates that even well-established agroecosystems experience fluctuations and that sustainability relies not only on technical practices but also on support networks, political recognition, and generational continuity. Policies such as the National Plan for Youth and Rural Succession, launched in 2024, emerge as strategic for addressing the succession crisis, promoting productive inclusion, and valuing rural ways of life. It is concluded that sustainability in family agroecosystems is a continuous, relational, and historically situated process. Beyond numerical indicators, it is expressed in the dignified permanence of farming families, the strength of community networks, and the collective capacity to imagine and construct alternative rural futures.
URI: http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/39151
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